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terça-feira, 20 de novembro de 2007

Anxo Quintana: "Abrir a Autonomia para uma melhor defesa da Galiza"


Anxo Manuel Quintana González nasceu em Allariz no dia 25 de Fevereiro de 1959 e é licenciado em Enfermagem pela Universidade de Vigo. Trabalhou no Hospital Cristal Piñor de Ourense e foi nomeado sócio honorário da Sociedade de Medicina Geral pelo contributo na melhoria dos cuidados primários nos meios rurais.

Desde jovem que colabora na introdução do sindicalismo agrário nacionalista na província de Ourense. Em 1982 participou na fundação do Bloco Nacionalista Galego e um ano mais tarde é eleito vereador da Câmara Municipal de Allariz.

Em 1989, dois anos depois das eleições autárquicas e coincidindo com uma época de seca que deixou o rio e as fontes sem água, uma revolta popular expulsa o presidente da câmara e colocam Quintana no seu lugar. Nas eleições autárquicas de 1991, é eleito Presidente da Câmara, cargo que desempenhará até 2000. Entre 1995 e 2000, ocupa também a Vice- Presidência da Federação Galega de Municípios e Províncias (FEGAMP).
Durante o mandato de Quintana, Allariz recebeu o prémio do Conselho Europeu do Urbanismo pelo “ordenamento e recuperação do conjunto histórico e do seu rio” (1994) e é uma das vilas seleccionadas para representar Espanha no concurso Habitat da ONU que reconhece os municípios que se destacam na defesa do desenvolvimento sustentável.

Quintana passa a ocupar o cargo de Senador por designação autonómica na Câmara Territorial do Estado em 1999, como único representante do Bloco Nacionalista Galego. Actualmente é o porta-voz do Grupo Misto.

A Xª Assembleia do Bloco Nacionalista Galego, celebrada em 2002, designa Anxo Quintana, coordenador da Comissão Executiva Nacional.


Desde Agosto de 2005 que é Vice-Presidente da Xunta da Galiza num governo de coligação com o Partido Socialista da Galiza.

sexta-feira, 16 de novembro de 2007

D. Ximenes Belo: «O Homem é um ser para a Liberdade.»




«Estou aqui essencialmente como a voz do povo sem voz (...) que quer o término da violência e o respeito pelos direitos humanos.»


Carlos Filipe Ximenes Belo (nascido em 3 de Fevereiro de 1948), bispo da Igreja Católica que, em conjunto com José Ramos-Horta, foi agraciado com o Prémio Nobel da Paz de 1996, pelo seu trabalho "em prol de uma solução justa e pacífica para o conflito em Timor-Leste".

Quinto filho de Domingos Vaz Filipe e de Ermelinda Baptista Filipe, Carlos Filipe Ximenes Belo nasceu na aldeia de Uailacama, concelho (hoje distrito) de Baucau, na costa norte do então Timor Português. O seu pai, professor primário, faleceu quando o jovem Carlos Filipe tinha apenas dois anos de idade. Os anos de infância foram passados nas escolas católicas de Baucau e Ossu, antes de ingressar no seminário de Daré, nos arredores de Díli, formando-se em 1968. Exceptuando um pequeno período entre 1974 e 1976 -- quando esteve em Timor e em Macau --, entre 1969 e 1981, Ximenes Belo repartiu o seu tempo entre Portugal e Roma, onde se tornou membro da congregação dos Salesianos e estudou filosofia e teologia antes de ser ordenado padre em 1980.

De regresso a Timor-Leste em Julho de 1981, Ximenes Belo esteve ligado ao Colégio Salesiano de Fatumaca, onde foi professor e director. Quando em 1983 se reformou Martinho da Costa Lopes, Carlos Filipe Ximenes Belo foi nomeado administrador apostólico da diocese de Díli, tornando-se chefe da igreja em Timor-Leste, respondendo exclusivamente perante o papa. Em 1988, em Lorium, Itália, foi consagrado como bispo.

A nomeação de Ximenes Belo foi do agrado do núncio apostólico em Jacarta e dos próprios líderes indonésios pela sua aparente submissão. No entanto, cinco meses bastaram para que, num sermão na sé catedral, Ximenes Belo tecesse veementes protestos contra as brutalidades do massacre de Craras em 1983, perpetrado pela Indonésia. Nos dias de ocupação, a igreja era a única instituição capaz de comunicar com o mundo exterior, o que levou Ximenes Belo a enviar sucessivas cartas a personalidades em todo o mundo, tentando vencer o isolamento imposto pelos indonésios e o desinteresse de grande parte da comunidade internacional e da própria Igreja Católica.

Em Fevereiro de 1989 Ximenes Belo escreveu ao presidente de Portugal, Mário Soares, ao papa João Paulo II e ao secretário-geral da ONU, Javier Pérez de Cuellar, reclamando por um referendo sob os auspícios da ONU sobre o futuro de Timor-Leste e pela ajuda internacional ao povo timorense que estava "a morrer como povo e como nação". No entanto, quando a carta dirigida à ONU se tornou pública em Abril, Ximenes Belo tornou-se uma figura pouco querida pelas autoridades indonésias. Esta situação veio a piorar ainda mais quando o bispo deu abrigo na sua própria casa a jovens que tinham escapado ao massacre de Santa Cruz (1991) e denunciou os números das vítimas mortais.

A sua obra corajosa em prol dos timorenses e em busca da paz e da reconciliação foi internacionalmente reconhecida quando, em conjunto com José Ramos-Horta, lhe foi entregue o Prémio Nobel da Paz em Dezembro de 1996. Na sequência deste reconhecimento, Ximenes Belo teve oportunidade de se reunir com Bill Clinton dos Estados Unidos e Nelson Mandela da África do Sul.

Após a independência de Timor-Leste, a 20 de Maio de 2002, a saúde do bispo começou a esmorecer perante a pressão dos acontecimentos que tinha vivido. O papa João Paulo II aceitou a sua demissão como administrador apostólico de Díli em 26 de Novembro de 2002. Após se ter retirado, Ximenes Belo viajou para Portugal para receber tratamento médico. No início de 2004, houve numerosos pedidos para que se candidatasse à presidência da república de Timor-Leste. No entanto, em Maio de 2004 declarou à televisão estatal portuguesa RTP que não autorizaria que o seu nome fosse considerado para nomeação. "Decidi deixar a política para os políticos" -- afirmou.

Com a saúde restabelecida, em meados de 2004 Ximenes Belo aceitou a ordem da Santa Sé para fazer trabalho de missionação na diocese de Maputo, como membro da congregação dos Salesianos em Moçambique.
É com grande orgulho que a ETAP - Escola Profissional (Vila Praia de Âncora) recebe este homem de fé e de paz cujo pedido pelo povo Maubere ainda hoje ecoa no Mundo: "Não se esqueçam de Timor!"